Reeleito deputado estadual pelo MDB com 70.506 votos, o equivalente a 1,64% dos votos válidos em Santa Catarina, Fernando Krelling fez um desabafo nas redes sociais após o resultado da eleição de domingo. Na manifestação, o parlamentar defendeu a decisão de ter permanecido ao lado do governador Jorginho Mello durante o período eleitoral e criticou a estratégia adotada pelo MDB na disputa.
Krelling afirmou que sua posição dentro do partido gerou restrições e cobranças, mas disse manter a consciência tranquila por ter sido leal ao governo do qual o MDB participou durante quatro anos. Segundo ele, sua crítica não é direcionada à escolha do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues como nome de um projeto político, mas à decisão do MDB de romper com a aliança construída durante a gestão estadual.
“Realmente teve uma fala que fiz, e para algumas pessoas foi uma fala polêmica, mas para mim foi uma fala apenas verdadeira”, afirmou o deputado.
Na avaliação de Krelling, o partido participou ativamente do governo Jorginho Mello, ocupando secretarias e contribuindo para a administração estadual, e não deveria ter mudado de posição no momento da eleição. Para o deputado, a decisão representou uma falta de lealdade ao governo do qual o partido havia feito parte.
“Quando o MDB participa quatro anos de um governo, está próximo do governador Jorginho Mello, com secretarias, participando ativamente, e daqui a pouco, através de uma escolha do governador onde ele define o vice de outro partido, o MDB vira as costas e quer construir um projeto próprio ou um projeto aliado a outro projeto”, declarou.
Krelling também fez questão de diferenciar sua crítica ao MDB da avaliação que possui sobre João Rodrigues. Segundo ele, o ex-prefeito de Chapecó é uma liderança que merece reconhecimento pelo trabalho realizado no Oeste catarinense.
“Eu não quero entrar no mérito de ter ido para um projeto do João Rodrigues, até porque o João Rodrigues foi um grande prefeito de Chapecó, uma grande pessoa e sempre fez um grande trabalho pelo Oeste de Santa Catarina”, afirmou.
“Gratidão se paga com lealdade”
Ao justificar sua posição durante a eleição, o deputado disse que permaneceu ao lado de Jorginho Mello por considerar que havia uma relação de compromisso construída ao longo dos quatro anos de governo.
“Gratidão se paga com lealdade”, afirmou Krelling. Ele lembrou que, durante o período, atuou na Assembleia Legislativa na aprovação de pautas de interesse do Estado e na articulação de recursos para a região.
O deputado reconheceu que sua postura lhe trouxe desgaste dentro do próprio partido. “Me mantive leal, me mantive firme no meu propósito, mesmo que isso me rendeu muita restrição dentro do partido, muitas cobranças indevidas dentro do partido”, disse.
Apesar das divergências internas, Krelling destacou o resultado obtido nas urnas como uma demonstração de que sua posição não impediu a recondução ao Legislativo estadual.
“Estou aqui hoje, reeleito graças a Deus”, afirmou.
Críticas ao desempenho do MDB
No desabafo, o deputado também avaliou o desempenho eleitoral do MDB. Segundo Krelling, a legenda saiu enfraquecida da eleição, com redução de sua representação na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
“O MDB infelizmente diminuiu para quatro cadeiras na Assembleia Legislativa e uma cadeira na Câmara Federal, fruto também das escolhas erradas que a gente teve nesta eleição”, afirmou.
Para o parlamentar, o resultado deve provocar uma discussão interna sobre os rumos da sigla em Santa Catarina. Krelling defende que o partido precisa assumir uma posição mais clara diante do cenário de polarização política no país.
“O MDB precisa entender que nós estamos num momento de uma polarização muito grande no Brasil, onde existem dois lados, e o MDB precisa definir sim um lado”, declarou.
Defesa de um novo MDB
Krelling também defendeu uma renovação interna do partido, especialmente com maior espaço para a juventude. Ao mesmo tempo em que reconheceu a importância histórica da legenda, citou nomes como Luiz Henrique da Silveira e Pedro Ivo Campos como referências da trajetória do MDB em Santa Catarina.
Para o deputado, a história do partido precisa ser preservada, mas não pode impedir a construção de novos caminhos.
“A história foi contada, a história foi escrita, e a história deve ser respeitada, mas novos capítulos precisam ser escritos”, afirmou.
Krelling defendeu ainda que os novos integrantes da legenda tenham maior participação nas decisões. “A juventude que está chegando cheia de energia no MDB precisa sim de ser ouvida, não ser jogada de lado e apenas a velha guarda tomar posições”, disse.
Ao concluir a manifestação, o deputado reforçou a necessidade de conciliar a tradição do partido com a renovação política. “O passado precisa de ser respeitado, mas a história nova precisa de ser escrita e eles precisam de respeitar aqueles que estão a chegar”, afirmou.
Foto: Agência AL


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