Ao pensar em atrair turistas estrangeiros, é comum olhar primeiro para o volume de chegadas. Mas outra pergunta muda a forma de planejar produtos, preços e comunicação: o que cada visitante faz quando está aqui? Quanto tempo fica e onde gasta?
A pesquisa Embratur/Visa/Ipsos (2025) analisou cinco mercados estratégicos para o turismo brasileiro: Argentina, Chile, Uruguai, Portugal e Estados Unidos. O resultado mostra que não existe um único “turista internacional”. Existem perfis distintos, cada um com motivações, ritmo e hábitos de consumo próprios.
Quanto tempo ficam
A estadia média entre os cinco mercados é de 12 pernoites, mas a média esconde contrastes, e o motivo da viagem explica boa parte deles.
Os portugueses lideram, com 18 noites. Isso se relaciona à alta incidência de visitas a amigos e parentes, já que quem vem rever a família tende a ficar mais tempo. No extremo oposto estão os estadunidenses, com 9 noites, pois muitas viagens são a negócios, com agenda mais curta e objetiva. Os argentinos ficam 12 noites, e chilenos e uruguaios, 11.
Quanto gastam
O gasto médio por pessoa por dia é de US$ 175,56, mas cada mercado distribui o orçamento de um jeito:
- Uruguai (US$ 114,73): tem o menor gasto diário, mas é o público que mais frequentemente nos visita. É quem mais destina o orçamento a compras (16%) e alimentação (20%).
- Argentina (US$ 138,66): é o mercado com maior volume de turistas no Brasil e o que destina a maior parte do gasto à hospedagem (25%).
- Chile (US$ 155,52): visita o país com menor frequência e é quem mais investe em atrativos e passeios (10%).
- Portugal (US$ 166,02): combina a maior permanência com o maior percentual gasto em passagens para chegar ao destino (22%).
- Estados Unidos (US$ 308,21): têm o maior gasto diário, quase o dobro da média, mas com a estadia mais curta. Também lideram em atrativos e passeios (10%), locação de veículos (9%) e suvenires (7%).
O que os números indicam
Ficar mais tempo não significa gastar mais por dia. Os portugueses permanecem o dobro do tempo dos americanos, que por sua vez gastam quase o dobro por dia. Argentina e Uruguai mostram o peso da proximidade: o volume e a recorrência das visitas compensam o gasto diário menor.

Na prática, a mesma estratégia não serve para todos os públicos:
- Turista americano: pede experiências e serviços de maior valor em poucos dias.
- Turista português: permite trabalhar a permanência, o roteiro mais longo e a conexão com o destino.
- Turistas argentinos e uruguaios: exigem atenção à recorrência e ao consumo do dia a dia, como hospedagem, alimentação e compras.
Conhecer esses perfis é o primeiro passo para criar ofertas mais certeiras para cada público.
Fonte: Embratur/Visa/Ipsos (2025)


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