Faculdade de Navegantes reforça defesa do equilíbrio na distribuição de bolsas de estudos em Santa Catarina

Nesta semana, na reunião da Associação de Mantenedoras Particulares de Educação Superior de Santa Catarina (AMPESC), em Florianópolis, o diretor da Faculdade Sinergia, Joãozinho Matos, reforçou a defesa da manutenção do Número Total de Estudantes (NTE) previsto na Lei Complementar nº 866/2025, que regulamenta o FUMDESC (bolsas de estudos concedidas pelo Governo do Estado).

O pleito foi levado à secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, e à equipe técnica da SED. O dispositivo garante a distribuição equilibrada das bolsas entre as instituições de ensino credenciadas no FUMDESC. A instituição de Navegantes participa desse credenciamento e atualmente repassa mais de 200 bolsas de estudos para acadêmicos.

O NTE limita a 4 mil o número de bolsistas por mantenedora (grupo educacional), evitando a concentração dos recursos públicos em grandes grupos educacionais e assegurando que o benefício alcance estudantes de todas as regiões do Estado. Essa medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa, segundo a AMPESC, justamente para equilibrar a distribuição das bolsas.

Em simulação feita pela AMPESC, sem o limitador, aproximadamente 2.300 estudantes de pequenas e médias instituições ficariam sem acesso às bolsas, deslocando recursos para cursos específicos em instituições de grande porte. Cita como exemplo a região do Vale do Itajaí que deixaria de atender cerca de 260 estudantes e da região Oeste, onde o número de estudantes que deixariam de acessar a bolsa seria superior a 500 novos alunos. IES de pequeno e médio porte compreendem faculdades e centros de ensino entre 300 até dois mil alunos, em média.

“Se o limitador deixar de existir, as instituições menores, que seguem rigorosamente os critérios do programa, serão prejudicadas. São elas que divulgam as vagas de forma transparente e sustentam o FUMDESC em todas as regiões”, afirma Everaldo Tiscoski, presidente em exercício da AMPESC.

IMPACTOS – Outro ponto de atenção a possíveis mudanças no NTE é o impacto orçamentário. Uma bolsa no curso de Medicina, por exemplo, equivale entre 6 a 8 bolsas em áreas como Psicologia ou Direito, e pode chegar à proporção de mais de 10 bolsas para cursos de Pedagogia, Administração e Ciências Contábeis. Sem o NTE, uma única instituição com curso de Medicina instalada no Estado, por exemplo, poderia absorver até 40% de todo o orçamento do programa, o que representa cerca de R$ 90 milhões em 2025 e outros R$ 120 milhões em 2026.

Ao receber os dirigentes da AMPESC, a secretária informou sobre mudanças para melhorias na operacionalização das renovações e concessões do FUMDESC e agradeceu a contribuição da entidade em atenção ao NTE e preocupação com a distribuição regional das bolsas.

FUMDESC – O programa criado junto com o Universidade Gratuita em 2023, o FUMDESC atende alunos do ensino superior particular, com bolsa de estudo parcial ou integral para cursos de graduação presencial. Embora com regras diferentes e orçamento menor (25% do total de recursos para os programas estaduais de assistência financeira estudantil), foi pensado para contemplar alunos de todas as regiões de Santa Catarina.

Em 2025, a previsão é que o FUMDESC atinja cerca de R$ 230 milhões em recursos. Desde a sua implantação, cerca de 10 mil estudantes de graduação ingressaram pelo FUMDESC com bolsas parciais e integrais. Dados da Secretaria de Estado de Educação apontam que, dos contemplados, 82% cursaram o ensino médio em escola pública estadual e 85% trabalham paralelamente aos estudos.

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