Em um movimento considerado estratégico para a economia regional, a Associação Empresarial de Itajaí reuniu Governo do Estado, prefeituras, autoridades portuárias, terminais, grandes empresas e entidades representativas em uma mesma mesa para alinhar esforços, construir uma linguagem comum e buscar soluções concretas para o pleno funcionamento do Complexo Portuário de Itajaí.
A mobilização evidencia a capacidade de articulação da entidade ao reunir, em torno de uma mesma pauta, atores públicos e privados diretamente impactados pelo desempenho do porto, mas que nem sempre contam com um espaço estruturado e contínuo de diálogo conjunto. Mais do que uma resposta a uma demanda imediata, o encontro marca o início de uma agenda permanente de cooperação institucional voltada à competitividade portuária e ao desenvolvimento econômico regional.
A primeira pauta tratada foi a dragagem do canal de acesso, tema considerado urgente diante da redução de 30 centímetros no calado, que já impacta a logística, as operações portuárias e a competitividade da região.
Durante a reunião, realizada na quarta-feira na sede da ACII, foi confirmada a chegada de uma draga do tipo Hopper ao Complexo Portuário de Itajaí, com previsão de operação nos próximos dias, podendo ocorrer a partir de 26 de maio. A embarcação deve atuar na recuperação plena dos parâmetros operacionais do canal de acesso.
A informação foi apresentada no encontro liderado pela ACII, que contou com a participação do Governo do Estado de Santa Catarina, prefeituras de Itajaí e Navegantes, Superintendência do Porto de Itajaí, Portonave, JBS, representantes de terminais portuários, entidades empresariais e setor produtivo. A iniciativa teve ainda o apoio do presidente do Conselho das Entidades, Bento Ferrari.
Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a draga Hopper será responsável pela atuação nos pontos mais críticos do canal e da bacia de evolução, permitindo a recomposição dos parâmetros operacionais.
“A Hopper fará o serviço de acabamento técnico necessário para restabelecer integralmente os parâmetros operacionais do canal”, afirmou.
Impactos nas operações
Representantes dos terminais portuários relataram impactos já sentidos nas operações, como restrições de manobra, atrasos logísticos e aumento de custos. De acordo com a administração portuária, o cenário foi agravado pela interrupção temporária do contrato de dragagem entre fevereiro e abril deste ano, período em que houve forte sedimentação no canal.
Após a retomada do contrato, foi iniciada uma operação emergencial com draga do tipo WID (Water Injection Dredging), tecnologia utilizada para dispersão de sedimentos leves e manutenção provisória do canal. Agora, a expectativa do setor produtivo é que a chegada da Hopper permita a remoção dos pontos de sedimentação sólida ainda existentes, garantindo a normalização completa das operações.
A presidente da ACII, Thaisa Nascimento Corrêa, destacou que o principal resultado da mobilização foi a construção de uma agenda conjunta entre os diferentes atores envolvidos.
“Conseguimos colocar na mesma mesa Governo do Estado, municípios, autoridades portuárias, terminais, grandes empresas, entidades empresariais e setor produtivo para construir uma agenda comum em defesa do nosso complexo portuário. A dragagem é a primeira pauta urgente, mas este movimento nasce com uma visão maior: garantir previsibilidade, estabilidade, integração institucional e soluções definitivas para que o porto funcione plenamente”, afirmou.
O secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, reforçou o compromisso do Governo do Estado com ações que garantam estabilidade operacional ao complexo. Já o prefeito de Itajaí, Robson Coelho, destacou a importância da integração entre poder público e setor produtivo para fortalecer ações preventivas e preservar a competitividade do porto.
Ao final do encontro, ficou definido que o grupo articulado pela ACII continuará atuando de forma permanente, com novas reuniões previstas nos próximos 30 dias para acompanhamento das medidas anunciadas, avaliação dos resultados das operações de dragagem e avanço na construção de soluções estruturantes para o futuro do Complexo Portuário de Itajaí.
A continuidade do trabalho reforça o papel da ACII como elo entre o setor produtivo, o poder público e instituições estratégicas da região, consolidando uma agenda de cooperação voltada ao fortalecimento de todo o ecossistema econômico que depende de um porto eficiente, competitivo e preparado para o futuro.


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