Projeto promove roda de conversa e oficinas gratuitas de escrita criativa, com produções reunidas em uma antologia poética ilustrada
O que faz uma cidade ser reconhecida para além de suas ruas, prédios e pontos turísticos? Em Itajaí, existe um jeito próprio de falar, criar, trabalhar, celebrar e contar histórias. É esse conjunto de saberes, memórias e paisagens que inspira o Maré Pexera – Cartografias Poéticas de Itajaí, projeto que convida a população a transformar diferentes olhares sobre a cidade em literatura.
A programação começa neste sábado, 24 de outubro, com uma roda de conversa sobre a história e a memória de Itajaí, seguida de visita guiada ao Museu Etnoarqueológico, no bairro Itaipava. A atividade será conduzida pelo professor e historiador José Bento Rosa.
Entre outubro e dezembro, o projeto realiza seis oficinas gratuitas de escrita criativa para pessoas a partir de 14 anos. Conduzidas por artistas da região, as atividades passam por diferentes espaços da cidade e estimulam os participantes a enxergar paisagens, histórias, personagens e experiências do cotidiano como matéria-prima para a criação literária. Os temas incluem experimentação poética, oralidade, identidade, juventude, periferia, pertencimento e a relação entre palavra e imagem.
A proposta parte da ideia de que o “jeito pexero” vai muito além do sotaque: está na oralidade, nos costumes, na culinária, nas festas, na música e nos gestos que atravessam gerações. Essa identidade reúne ainda as contribuições dos povos originários, da população negra, dos descendentes de imigrantes e das diferentes comunidades que construíram e seguem transformando a cidade.
“O jeito pexero já é uma poesia que existe na cidade, só que muitas vezes não está escrita. O projeto quer justamente provocar esse olhar: perceber a cidade, escutar suas vozes, reconhecer suas memórias e transformar tudo isso em narrativa”, explica Ricardo Corrêa, proponente e idealizador.
A escolha dos locais também integra a proposta de descentralização cultural, aproximando a escrita de diferentes territórios e comunidades de Itajaí.
Da experiência à antologia poética
Ao final do processo, os textos dos participantes passarão por curadoria, revisão e organização editorial. O resultado será uma antologia poética ilustrada, publicada pela DES Editora, de Itajaí, reunindo produções autorais, fotografias do processo criativo e conteúdos sobre a história da cidade.
Contemplado em edital da Fundação Cultural e da Prefeitura de Itajaí, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, o projeto tem idealização e produção cultural de Ricardo Corrêa, apoio de Mariana Ferret e assessoria de acessibilidade de Violeta Alvez.
Programação
Todas as atividades acontecem das 14h às 17h.
- 24/10 (sábado): roda de conversa com José Bento Rosa sobre a história e a memória de Itajaí, seguida de visita guiada. Local: Museu Etnoarqueológico, bairro Itaipava.
- 31/10 (sábado): oficina com Eliss de Castro e Hang Ferrero. Tema: Poesia, Identidade e Experimentação. Local: Parque Náutico Odemar Müller, próximo à Marina Itajaí.
- 14/11 (sábado): oficina com Tayá, Mabel Espíndola e o coletivo Escritores de Si. Tema: Poesia, Juventude, Expansão e Periferia. Local: Praça de Esportes do Santa Regina.
- 21/11 (sábado): oficina com Ana Clara Souza e Beco Arte. Tema: Palavras são Símbolos. Local: Praça Arno Bauer, ao lado da Casa da Cultura.
- 29/11 (domingo): oficina com Heleno Rizzih e Violeta Alvez. Tema: Oralidade, Identidade e Atravessamentos. Local: Jardim Bruno Malburg, atrás da Igrejinha Velha.
- 05/12 (sábado): oficina com Sarah Uriarte e Luciana Siebert. Tema: Poesia, Imagem e Paisagem. Local: Praça Dr. Celso Pereira da Silva, no Coreto da Murta.
- 12/12 (sábado): oficina com Sabrina Gesser e Ricardo Corrêa. Tema: Poesia, Patrimônio e Curadoria de Textos. Local: Mercado Público de Itajaí.
Serviço
Inscrições gratuitas pelo formulário on-line: http://bit.ly/481jv3B
Público: pessoas a partir de 14 anos.
Os locais poderão ser alterados em função das condições climáticas.



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